A língua ferina de Flávio Bolsonaro, no primeiro debate presidencial, não abre espaço para a poesia. Mas o silêncio que adotava diante de perguntas incômodas era como o oposto de um antigo samba que tudo dizia mesmo sem nada falar.

Era o início de 1984, um ano antes da transição para o primeiro governo civil depois de 20 anos da ditadura tão elogiada pelo senador e por seu pai Jair, atualmente preso por tentativa de golpe de Estado.

“Vai passar”, de Chico Buarque, ecoava em todo o país. Vai passar na avenida um samba popular, como dizia a canção. Assim como iria passar o longo período de autoritarismo, cuja memória andava – e anda – desbotada em nossas novas gerações.

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